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07 outubro 2014

A mudança proposta por Aécio do PSDB é à volta ao arrocho salarial, ao desemprego e aos tempos de FHC.



         Agora, com a vigência do segundo turno das eleições presidenciais de 2014, em que duas candidaturas apenas sobraram, a de Dilma Rousseff do PT e a de Aécio Neves, do PSDB, é necessário pontuar a diferença entre esses dois candidatos, seus currículos e seus programas de governo, assim como os objetivos de cada um dos partidos políticos a qual eles se filiam.
         Um dos grandes temas dessa campanha, usado por todos os candidatos, é a ideia de mudança. Cada um dos concorrentes ao pleito presidencial no primeiro turno se colocou como o portador de um projeto de mudança para o país. O discurso de Dilma Rousseff e de Aécio Neves não são diferentes nisso, pois ambos se dizem como a mudança. Porém, podemos mensurar e comparar qual mudança cada um desses candidatos está propondo?
         A mudança que queremos é qualquer uma? Qualquer mudança serve?
         Dilma Rousseff nos propõe continuar as mudanças já começadas no governo Lula, ampliando a geração de empregos, o combate às desigualdades sociais, a distribuição de renda, o acesso à educação e a saúde pública. Obviamente o que ela está propondo é continuar uma mudança que já começou a mais de uma década no Brasil e que coleciona opositores e descontentes. No entanto, mesmo com erros e pedras no caminho esse foi um projeto bem sucedido. Os resultados das últimas Pnads, dos últimos sensos e de constatações feitas pelo Onu colocam o Brasil em uma excelente situação de melhora de condições de vida em praticamente todos os quesitos. E nem às vezes precisamos de números para ver isso. Alguém ai conhece alguém que está pior de vida hoje do que estava em 2002? Pobre hoje tem carro, faculdade, emprego, casa própria e a geladeira cheia sempre. No geral é isso o que vemos.
         Aécio Neves, por outro lado, nos propõe uma mudança que na verdade é voltar ao que éramos antes, uma volta aos tempos de FHC. Ele e seu economista chefe, Armínio Fraga, não cansam de falar que o salário mínimo está crescendo demais, que os juros estão muito baixos. Quando percebemos ainda que Aécio pertence ao partido de FHC, o presidente que teve índices terríveis de desemprego e arrocho salarial, tendo exatamente Armínio Fraga como seu principal economista, percebemos muito claramente que o projeto de mudança de Aécio Neves tem a ver com mudar para o antigo projeto do PSDB dos três pilares econômicos, do desemprego e do arrocho salarial, em que não havia crédito para que os mais pobres pudessem consumir.
         Aécio se diz capaz de conter a inflação, mas podemos perceber claramente que essa inflação alta é algo questionável, como já questionamos aqui em outro artigo. Ele se diz capaz de fazer o país voltar a crescer, muito embora já estejamos crescendo mais que a maioria dos países do mundo, ao passo que ele não foi capaz de fazer Minas Gerais crescer, endividou o Estado e fez Minas cair da posição histórica de 3º Estado mais atrativo para investimentos para a 6ª colocação.
         Ele fala sobre corrupção, mas como já discutimos em outro artigo, falar sobre denúncias dos outros e não falar das suas próprias não adianta nada. Nesse quesito a Dilma e o PT são muito mais claros e objetivos, defendendo sempre a investigação, em detrimento a Aécio e o PSDB, que sempre defendem arquivamentos dos casos em que são acusados.
         Queremos mudanças no Brasil? Quais mudanças nós queremos? Será que o projeto político de Aécio Neves e do PSDB representam as mudanças que queremos?
         Voltar ao arrocho salarial, ao desemprego, as privatizações, ao apagão elétrico, aos tempos em que as universidades eram apenas para os mais ricos é a mudança que queremos?
         Cada um pense o que quiser, mas Aécio foi governador em Minas Gerais, Estado onde eu moro, e não vi fazer nada de bom aqui.




 Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.
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01 outubro 2014

Ver o PSDB criticar a corrupção é como ver um ladrão discursar sobre honestidade.



         Atualmente a grande maioria das siglas partidárias brasileiras possuem algum tipo de envolvimento em acusações sobre corrupção. Mas acusação é diferente de condenação e culpa. Para alguém ser considerado de fato corrupto, culpado e “fixa suja”, precisa ser condenado por algum crime de corrupção. Acusações apenas não bastam para classificar alguém como corrupto.
         Contudo, algumas considerações precisam ser feitas sobre a forma como o PSDB, na campanha presidencial de Aécio Neves e na campanha estadual de Pimenta da Veiga, age com relação a esse assunto, tratado por eles com dois pesos e duas medidas.
         As duas campanhas enfatizam drasticamente a ideia de que o governo federal do PT nas gestões de Lula e de Dilma Rousseff tiveram graves escândalos de corrupção. Não estão errados em dizer isso, porém, eles tratam denúncias como casos encerrados e com isso fazem dois pesos duas medidas, pois seus governos são alvos também de inúmeras acusações e graves escândalos, com a diferença que a maioria deles não foram sequer investigados e acabaram literalmente engavetados.
         Denúncias sobre corrupção na Petrobrás, por exemplo, foram feitas aos montes durante o governo de FHC, em que Aécio Neves exercia mandato de deputado federal e era líder da base governista e da câmara dos deputados. No mesmo período Pimenta da Veiga era ministro do mesmo governo e ambos são do mesmo partido de FHC, o PSDB. Até uma plataforma chegou a ser afundada no mar e as investigações sobre todos esses casos nunca avançaram, foram esquecidas e até hoje a sociedade não teve uma resposta sobre o assunto.
         Os casos de compras de votos também são extensos, a começar pela denúncia de compra de votos para a reeleição de FHC, seguida do mensalão do PSDB, que ocorreu em Minas Gerais, no governo do governador Eduardo Azeredo, do PSDB. Pimenta da Veiga é diretamente citado como investigado no caso. Aécio Neves era deputado pelo PSDB e um dos principais articuladores entre o governo de Minas Gerais e o governo federal de FHC, também do PSDB.
         Pulando vários casos, que podem ser achados facilmente na internet, outro caso recente e significativo foi a da construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, feito pelo governo de Minas na gestão de Aécio Neves do PSDB, construído dentro das terras da fazenda de um tio avô de Aécio. Outros aeroportos construídos no mesmo período possuem problemas semelhantes, como o de Itabira, que está localizado em um local onde não há nenhum aeroporto, embora o dinheiro tenha sido gasto. Houve também uma acusação grave envolvendo o governo de São Paulo, do PSDB, sobre desvio de dinheiro do metrô de São Paulo, mas o caso tem pouca atenção da grande mídia e sofre tentativas de abafamento pelo atual governo de São Paulo.
         Todos esses casos são acusações e precisariam ser investigados. Muitos deles já foram arquivados, pois no período FHC a polícia Federal não tinha tantos equipamentos e nem tanta autonomia quanto adquiriu nos últimos anos para investigar tudo. O governo daquela época não só negava as acusações (o que é um direito inquestionável) como não fazia esforços para que as investigações andassem e ainda buscava abafar os casos. Até hoje, quando questionados, esses políticos jamais apoiam que os casos sejam reabertos e investigados.
         Mas o ponto central aqui é a forma como Aécio Neves e Pimenta da Veiga tratam as acusações de corrupção com dois pesos e duas medidas. Quando as acusações são contra eles elas são apenas acusações. Quando as acusações são contra seus rivais, elas são prova cabal de corrupção.
         Aécio mesmo, nos debates, reclama que a Petrobrás tem atualmente frequentado muito as páginas policiais e que isso envergonha o Brasil, como se acusações fossem prova de culpa e como isso provasse que realmente tenha havido tais casos de corrupção. Seria melhor então fazer como antes, no governo de FHC, do PSDB, abafando o caso e engavetando o processo?
         Mas se o fato de sofrer acusação for um sinônimo de culpa, então ver o PSDB falar sobre corrupção é como ver um ladrão falar sobre honestidade, uma vez que se trata de um dos partidos que mais têm acusações em seu currículo. Aliás, acusações muito mais graves, envolvendo muito mais dinheiro, como é o caso do metrô de São Paulo, por exemplo.
         Nessas eleições de 2014, só para citar outro exemplo, o PSDB foi o partido que teve o maior número de candidatos barrados pela lei da ficha limpa. Como então acusar os outros de corrupção com um currículo desses? E o que dizer das privatizações, como a da Vale do Rio Doce, vendida a preço de banana e envolvida em denúncias em que membros do PSDB teriam lucrado com essa venda feita a baixo preço?
         Aécio quer se passar como o candidato da ética, mas está no partido que mais teve candidaturas barradas pela ficha limpa nessa eleição de 2014. Ele é alvo de graves denúncias de corrupção em Minas Gerais, como a dos aeroportos e outras. Para piorar, mesmo com todas essas acusações que o rodeiam, ele trata acusações sobre outros candidatos como se fossem casos resolvidos e diz que está cansado de tanta corrupção na Petrobrás. Mas será que é ético acusar os outros por casos de corrupção que ainda estão sendo investigados, quando também se é alvo de investigação em casos semelhantes?
         Enfim, com a quantidade de acusações que o PSDB tem nas costas, o mais correto seria eles nunca falaram desse tema, mas infelizmente eles foram bem sucedidos em abafar os seus casos e boa parte da população tem memória curta e já não se lembra mais tão bem dos tempos de FHC, em que havia desemprego e arrocho salarial crescente, bem como corrupção não investigada e até racionamento de luz.

Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.


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23 setembro 2014

A eleição da intolerância. Assassinatos e destruição de material de campanha da Candidata Dilma Rousseff



         Uma das características mais marcantes e preocupantes dessa eleição presidencial em 2014, é o aumento dos casos de intolerância a opinião alheia. A campanha que mais vem sofrendo isso é a da candidata Dilma Rousseff, que concorre à reeleição para a presidência da República, sobretudo depois de seu crescimento nas últimas pesquisas de setembro. Obviamente ninguém é obrigado a votar nela, muito menos a gostar dela, mas o que se espera de qualquer cidadão no âmbito de uma democracia é o respeito às opiniões alheias sem agredir. O debate e a discordância é normal e sadio, mas a agressão e a injúria é um retrocesso democrático e mostra uma falta de traquejo para o debate, a falta de argumentos e o crescimento do ódio e da intolerância a diversidade.
         A campanha de Dilma tem sofrido uma série de ataques coordenados nas ruas. Suas placas estão sendo quebradas, seus cartazes arrancados, e o pior, até os adesivos em carros e motos estão sendo arrancados. A pessoa coloca o adesivo de apoio à candidatura em um carro e simplesmente, depois de estacionar, a propaganda some. Um ato de desrespeito que eu tenho visto ser narrado por uma série de apoiadores da campanha de reeleição da atual presidente.
         O que eu me pergunto é o que leva alguém a se achar no direito de retirar um adesivo do carro alheio? Será então que eu não tenho direito de apoiar uma candidatura? O fato de alguém não gostar da candidata que o outro apoia dá o direito dessa pessoa simplesmente arrancar uma propaganda do veículo do outro?
         É um ato de irracionalidade e de agressão, de intolerância e de ódio que ultrapassa a simples crítica política, a discordância de ideias. Acredito que o indivíduo que age assim deve ser o mesmo que é a favor de outros atos de intolerância, como o racismo, a homofobia. E sabemos muito bem que não se trata de a-partidários ou de pessoas que votam em branco, caso contrário, os demais candidatos estariam sofrendo o mesmo tipo de agressão.
         Trata-se, portanto, da agressão de militantes e simpatizantes de outras candidaturas, o que faz a coisa ainda se tornar pior, pois mostra que esses apoiadores estão tentando construir essas candidaturas em cima do ódio, do preconceito e da agressão, agindo com intolerância, não respeitando o direito de livre expressão dos outros. Sabemos muito bem quais são as campanhas que estão fazendo isso e quem é o eleitorado que faz esse tipo de coisa. É o mesmo eleitorado que odeia os pobres nas universidades (e que comete atos de preconceito e racismo nos campus, como o que ocorreu na UFMG recentemente; quando alunos se vestiram de Hitler e fizeram gestos racistas, pintando calouros como negros; e tantos outros que andamos vendo e que acabam não repercutindo), que faz ofensas racistas em estádios de futebol, que chama os programas sociais de esmola e assistencialismo, que ofende os outros gratuitamente nas redes sociais por não pensar como eles.
         É preocupante ver o crescimento da intolerância, do ódio. Não estamos dizendo que as pessoas não devem discordar desse ou daquele candidato, desse ou daquele governo, mas daí partir para agressão, para ofensas, já é outra coisa, mostra um nível de não tolerância ao diferente, de não tolerância à diversidade. Isso me parece ser fruto de uma geração de classe média e de pseudo-classe média, que tem problemas em ser contrariada, que não sabe ouvir não. Uma geração criada a danoninho, que tem paitrocínio para tudo, para os estudos (são contra os “assistencialismos” do governo, mas não são contra o assistencialismo do papai), para as baladinhas e etc, e que quando houve um não, deita no chão e faz manha, agride, grita e esperneia até conseguir dos pais aquilo que deseja, por mais absurdo que seja o pedido.
         Alguém pode até tentar justificar essas ações, falando que isso ocorre como protesto à corrupção e coisa do tipo, mas se fosse assim, as placas dos outros candidatos presidenciáveis estariam também sendo arrancadas, pois todos os três principais candidatos têm acusações contra eles e contra os seus partidos. Marina tem acusações pesadas contra ela, envolvendo o avião da campanha de Eduardo Campos. O PSB enquanto partido tem acusações a responder. O próprio Marido de Marina Silva é acusado em um caso grave de corrupção envolvendo desmatamento.  Aécio Neves tem acusações sobre os aeroportos “fantasmas” que fez em Minas Gerais, um deles na fazenda de seu tio avô, na cidade de Cláudio. Além disso, o PSDB é acusado de vários casos de corrupção pelo país, como a Lista de Furnas, a compra de votos para a reeleição de FHC, dentre outros. Dilma também teve escândalos de corrupção em seu governo e no governo Lula, sendo que o mensalão foi o caso mais discutido e considerado pela grande mídia como o mais grave. Ou seja, se fosse por isso, se fosse por corrupção ou por acusações de corrupção, todos os candidatos estariam sendo atacados igualmente.
         No fundo, os ataques contra a candidatura de Dilma tem outro caráter, eles mostram a irracionalidade de parte do nosso eleitorado, que perdeu privilégios ou que acha que perdeu privilégios. Um eleitorado intolerante com a diferença, com outras formas de pensar, que deseja impor suas ideias a qualquer custo, mesmo que seja na pancada. É um eleitor que acredita piamente em tudo o que a grande mídia diz, que não entende que essa mídia tem interesses e tem opiniões políticas. Por fim, é um indivíduo que odeia o outro, que se identifica com o que a grande mídia prega, independente de qualquer argumentação.
         Quando eu comecei a fazer esse texto à coisa ainda estava branda, no nível apenas da derrubada de cavaletes e na destruição de material de campanha. Agora, três militantes do PT, um em Curitiba e dois no Pará, foram mortos nos últimos dias enquanto faziam campanha. Ou seja, estamos falando de assassinatos por motivação política, e provavelmente em crimes com mandantes.
         Alguns ainda vão tratar isso, essa intolerância, como uma revolta legítima e mesmo como algo normal e fruto de uma decepção com o governo, ou de uma revolta de um povo que não aguenta mais esse governo. Mas será que se ocorresse o contrário, será que se fossem os apoiadores de Dilma que estivessem fazendo isso com as outras campanhas, isso seria tratado da mesma forma? Será que se eles fizessem isso aqui em Minas com o governo do PSDB, também a 12 anos no poder, ou com o governo de São Paulo, que tem também o PSDB a mais de 20 anos no governo estadual, a coisa seria vista e tratada como uma revolta justa? Será que é isso o que queremos para o nosso país? Será que o que queremos é essa intolerância? Eu, no que concerne a discutir política, prefiro ficar no debate das ideias. Quando critico um candidato, o critico pelo seu currículo ou por suas ideias, ou por ambos, mas jamais o agredindo pessoalmente, jamais com xingamentos e palavras de baixo calão. Penso que esse deveria ser o tom das campanhas e o tom dos eleitores, mantendo o direito e até o dever de discordar de ideias que não convencem, mas conservando o direito dos outros poderem se manifestar, mostrar suas ideias. Acho que aquele velho ditado deveria ser cada vez mais observado: O direito de um começa aonde termina o do outro.

Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.


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16 setembro 2014

A inflação como arma política da direita nas eleições presidenciais de 2014.


         A inflação supostamente alta é um dos assuntos que mais aparecem no debate político das eleições presidenciais de 2014. Boa parte da oposição ao atual governo federal acusa a presidente Dilma Roussef, candidata a reeleição pelo PT, de ter deixado a inflação voltar a subir. Um dos principais acusadores é Aécio Neves, candidato a presidência pelo PSDB.
         Realmente os indicadores econômicos apontam que a inflação ficará no teto da meta estabelecida pelo atual governo, podendo até talvez passar um pouco dessa meta. Isso não deixa de ser preocupante e com certeza a inflação precisa ser reconduzida ao centro da meta. Contudo, esse debate vai para alem disso, pois aqueles que acusam o atual governo usam essa situação como arma política para desqualificar a candidata do PT a reeleição, produzindo discursos descontextualizados com a realidade política e econômica do país, deixando de considerar a crise econômica mundial e também os índices de inflação anteriores e dos governos estaduais.
         O principal candidato e partido a usar o discurso da inflação é Aécio Neves, do PSDB. Ele diz que o governo está falido, que perdemos competitividade e que a inflação voltou a crescer. Mas é interessante notar alguns números que talvez possam ajudar na compreensão de como isso tem sido usado como arma política e como é uma situação que não corresponde à realidade histórica. Desde a instalação do Plano Real, no Governo de Itamar Franco, em 1994, tendo como Ministro da Fazenda Rubens Ricupero (que substituiu FHC, antigo ministro da Fazenda que organizou a equipe econômica do Plano Real); a inflação no Brasil foi drasticamente diminuída.
No primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, a média de inflação ficou em 9,8%. 22,4% em 1995, 9,5 % em 1996, 5,22% em 1997 e 1,6% em 1998. No segundo mandato de FHC sua inflação acumulada ficou em 8,6%. 8,9% em 1999, 5,9% em 2000, 7,6% em 2001 e 12,5% em 2002.
No governo Lula, do PT, a inflação no primeiro mandato ficou em 6,4%. 9,3% em 2003, 7,6% em 2004, 5,6% em 2005 e 3,1% em 2006. Na segunda gestão ficou em 5,1%. 4,4% em 2007, 5,9% em 2008, 4,3% em 2009 e 5,9% em 2010. Até agora, por período, foram às duas gestões com menor inflação.
O Governo Dilma, do PT, até agora, acumula a média de inflação de aproximadamente 6,1%, conforme as projeções para o fechamento de 2014, podendo talvez variar até para 6,6%. 6,5% em 2011, 5,8% em 2012, 5,9% em 2013 e 6,4% a 6,55% em 2014.
Se olharmos individualmente os anos de governo, veremos que quem teve os maiores índices de inflação em um ano foi o governo FHC do PSDB, com 22,4% em 1995, 9,5% em 1996, 8,9% em 1999 e 12,5% em 2002. Claro que temos que levar em consideração que 1995 e 1996 foram anos ainda influenciados pelo período anterior da hiperinflação. Temos também que dizer que o menor índice histórico em um ano foi atingido no governo tucano, em 1998, que teve a inflação em 1,6%, embora o arrocho salarial e o desemprego nesse período tenham ficado, em contrapartida, assustadoramente altos.
Mas se falando de economia, inflação é somente uma parte da história. Outros números precisam ser levados em consideração, como geração de emprego, crescimento do PIB, comparação entre o PIB de outros países no mesmo período, além de distribuição de renda e melhoria nas condições de vida da população.
Se levarmos ainda em consideração que o governo Dilma passou por uma das piores crises mundiais do capitalismo e mesmo assim conseguiu ter inflação menor do que o período FHC/PSDB, com mais emprego e mais renda para o trabalhador e sem criar arrocho salarial, os resultados não são tão ruins como prega o candidato Aécio Neves. Pensemos, por exemplo, no PIB brasileiro por períodos.
No primeiro mandato de FHC, a média do crescimento do PIB ficou em: 2,5%. Na segunda gestão ficou em torno de 2,1%.
O governo Lula teve 3,6% de crescimento do PIB no primeiro mandato e 4,6% no segundo.
Dilma, até o presente momento apresenta 1,8% de crescimento.
Contudo, no governo Dilma a crise mundial arrasou boa parte da Europa. A Espanha, por exemplo, chegou a ter 26% de desemprego, junto a vários outros países. No mesmo período, Dilma conseguiu diminuir o desemprego no Brasil, criando mais postos de trabalho com carteira assinada, aumentando o número de empresas criadas e diminuindo o número de falências.
O governo Lula teve resultados semelhantes, criando emprego e renda para os trabalhadores mais pobres. As três gestões do PT na presidência foram bem avaliadas pela ONU, como exemplos de combate as desigualdades sociais. Já o governo FHC, do PSDB, teve arrocho salarial e desemprego.
O que eu me pergunto então é como Aécio Neves do PSDB, tendo feito parte da base aliada do governo FHC/PSDB, tem a coragem de falar em inflação alta e baixo crescimento do PIB, quando o governo do seu partido, teve resultados muito piores, tendo sido Aécio nesse período líder da Câmara dos Deputados?
Aécio Neves pode tentar se desvencilhar de FHC e da antiga gestão federal do PSDB, mesmo ele tendo sido um dos principais membros da base aliada daquele governo. Porém, será que ele pode se desvencilhar então do governo de Minas Gerais, onde ele foi governador por dois mandatos e reelegeu Antônio Anastasia, seu principal aliado no Estado?
O governo de Minas amarga alguns resultados estranhos no quesito economia: Minas, nos últimos 12 anos, deixou de ser um dos Estados mais atrativos do Brasil para investimentos, caindo da posição de 3º mais competitivo para 6º. Essa era uma posição histórica de Minas Gerais, ao lado de Rio de Janeiro e São Paulo, porém, na gestão de Aécio Neves do PSDB, as coisas mudaram e o Estado perdeu competitividade.
Marina Silva, atualmente no PSB, também entra com a crítica da inflação alta. Curiosamente a fórmula econômica dela para reduzir a inflação é dar autonomia jurídica ao Banco Central e diminuir crédito imobiliário. Ou seja, sua fórmula é deixar os bancos ganharem mais dinheiro e cobrarem os lucros que quiserem, desacelerando a indústria da construção civil, o que vai certamente produzir desemprego, dentre outras coisas piores, como diminuição da renda dos mais pobres. Mas pode ser que ela mude de ideia, afinal de contas, ela tem mudado de ideia sobre seus programas de um dia para o outro. No caso da campanha de Marina, todo dia podemos ter uma novidade diferente, cada minuto é um flash. Então, talvez não precisemos nos preocupar com ela estar com o economista do plano Collor em sua campanha, ou estar com o pessoal do Banco Itaú, acusados de sonegação de impostos.
Mas em todo caso a inflação se tornou arma política nessas eleições, uma arma política da oposição contra o atual governo, contudo, os números mostram que no caso de Aécio, seus governos, do PSDB, apresentam resultados bem piores do que os governos em que Dilma esteve participando como ministra e como presidenta. No caso de Marina, sua crítica vem com uma solução que nos parece desastrosa para o futuro, além do fato de sua palavra parecer não valer o escrito.

Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.

Algumas referências:
http://www.brasil247.com/pt/247/economia/145260/PML-infla%C3%A7%C3%A3o-no-governo-FHC-foi-pior-que-com-PT.htm

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08 setembro 2014

O Complexo de Dona Florinda


         Quando eu criei esse termo eu pensava muito especificamente em um tipo de indivíduo bastante comum em nossa sociedade, aquele que é pobre, porém, acredita nos conceitos e princípios produzidos pelas elites para justificar as desigualdades como algo natural. É um tipo de pessoa que se acha da elite e pensa que logo irá melhorar de vida, que aquela sua situação é passageira e que as causas sociais de seus problemas vem não da exploração, mas da quantidade de conquistas conseguidas pelos sindicatos e pelos direitos humanos, que atrapalham o andar natural das coisas e não o deixa sair da pobreza. Trata-se de um tipo de indivíduo tão colonizado culturalmente que ele pensa pela lógica daquele que lhe causa a condição de pobreza e se vê espelhado nesse, se tornando distante de sua própria condição social, que para ele é uma questão meramente momentânea. Ele arraiga em si todo o discurso das elites e o corrobora, se vendo como parte integrante daquele grupo social, como superior aos demais pobres que vivem ao seu redor e que possuem as mesmas condições que ele.

         Em outras palavras, é um indivíduo que mesmo sendo pobre, sendo de origem humilde, se acha superior aos demais a sua volta, se acha mesmo um indivíduo especial, que tem mais capacidade de raciocínio, que tem maior censo crítico e, ao mesmo tempo, corrobora todos os discursos da direita e costuma ter aversão ao povo e a tudo o que é do povão, a tudo o que é popular. Ele valoriza coisas estrangeiras como as músicas, filmes, cultura, acha o Brasil e o restante do terceiro mundo um lugar ruim, patético, que não é sério, sempre comparando esses lugares com países como o Canadá, Eua, Suécia, Suíça e outros países, não levando em conta o processo que fez esses países se desenvolverem e nem os processos históricos da produção da sociedade brasileira.

         Esse indivíduo também tem um grande ódio para com os movimentos sociais, com as esquerdas e crê em uma meritocracia em que basta que o indivíduo se esforce para conseguir tudo o que deseja, como se não houvesse qualquer tipo de desigualdade e de diferença de oportunidades entre o filho de um gari e o filho de um médico. No fim das contas ele se acha superior aos demais, se vê como um pobre que logo irá vencer na vida ou que ainda não venceu devido às implantações de cotas e de coisas do tipo, o que estaria barrando a sua ascensão.

         O termo foi inspirado em um personagem clássico do seriado mexicano Chaves, muito popular no Brasil. Esse personagem, Dona Florinda, vive de aluguel em um pobre cortiço, sobrevivendo com o filho da pensão deixada pelo seu marido, que morrera no exercício do ofício de marinheiro. É uma senhora que passa boa parte do dia ocupada com os seus afazeres domésticos, principalmente estendendo roupa no varal comum da vila (onde ocorre a maior parte das cenas da série). Ela usa rolinhos na cabeça e um vestido simples, com um avental. Mesmo vivendo nessas condições, ela se entende como uma pessoa da alta sociedade, debocha e se desfaz das pessoas que moram ao seu redor por se entender como parte da elite e ensina isso ao seu filho, usando muitas vezes uma frase clássica dita ao seu filho: “Não se misture com essa gentalha!”.

         No Brasil há muita gente com uma forma de pensar muito semelhante, o que eu comecei a chamar de Complexo de Dona Florinda. Trata-se de pessoas de origem pobre e que ainda vivem em certo grau de pobreza, mas que abominam as pessoas ao seu redor, se entendem como diferentes, se acham mais inteligentes, mais estudadas, (quase nunca são realmente mais estudadas, mesmo assim se julgam mais instruídas), superiores, com uma compreensão mais clara do mundo.

         Eles entendem as pessoas ao seu redor como ignorantes e manipuláveis. No caso do Brasil, muitas vezes ainda existe a questão “racial”, ou seja, o indivíduo ainda se entende como branco, mesmo que seu rosto no espelho mostre outra coisa.

         Então, para se diferenciarem eles adotam o discurso da elite, para serem como a elite, para se sentirem como a elite. Passam a concordar com os pensadores da elite, com os jornais, jornalistas e revistas que as elites possuem e passam a dizer o mesmo discurso das elites e a votar nas elites. Não é por acaso que vemos alguns pobres contra o bolsa família, contra o Prouni, contra o Fies, contra o Minha Casa, Minha Vida, para não falar em outras questões, ao mesmo tempo em que acham uma boa medida as privatizações, desejam pena de morte e adoram criticar qualquer medida que tenha por objetivo dar oportunidade aos mais pobres.

         Esse é o complexo de Dona Florinda, uma situação em que o pobre passa a pensar como o rico, defendendo as ideias da classe média e dos ricos, ideias que em vários sentidos vão prejudicá-lo no futuro, que vão tirar seu emprego, a sua bolsa de estudos ou a de seu filho, que vão criar arrocho salarial exatamente para ele, que ganha salário mínimo. Mesmo assim ele continua, pois ele se entende diferente dessa situação. Por fim ele vota no rico e desenvolve um grande ódio a quem defende direitos iguais aos mais pobres.

Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.
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14 julho 2014

A arte de xingar primeiro, pensar para que?



Alguns meses atrás, por volta de Abril/Maio, circulou no Facebook o trecho de uma palestra da filosofa da USP, Marilena Chauí, onde ela exclamava que odeia a classe média.

O trecho com a frase foi recortado do pronunciamento e montado estrategicamente para parecer uma declaração de desdenho ao povo.

No pronunciamento completo, que pode ser visto abaixo, ela explica as divisões da sociedade em classe trabalhadora, classe média e a elite. Explica também que não aceita a terminologia do governo em chamar o acesso aos bens de consumo de ascensão a classe média, que estavam usando erroneamente termos de classe econômica para designar classes sociais.

No auge da desinformação publiquei o vídeo da fala completa de Marilena Chauí no youtube e compartilhei para que os que ouvissem a fala completa pudessem perceber a manipulação do vídeo editado.

Não dou muita atenção ao canal que hospedo vídeos no youtube, só alguns meses depois voltei a visitar meu canal de vídeos para me surpreendo com o que há no vídeo.

O vídeo marcava cerca de 10 mil visualizações com 106 avaliações positivas e 105 negativas repleto de comentários com ofensas e xingamentos, que pelo teor, foram feitos por pessoas que não chegaram a assistir o vídeo completo.

A impressão que os comentários passam é que alguma corrente de ódio que espalhou o vídeo editado com a intenção de manipular opiniões convocou seus cegos seguidores para preencher o vídeo com seus comentários 'educados' que não tem nenhum conhecimento do que estão falando.

A intenção era xingar, não precisa saber por que esta xingando.

Esse é mais um indicativo da ameaça que a ignorância representa sobre o país. Uma pessoa que faz ofensas sem saber porque está ofendendo me faz temer o mal que ela pode fazer nas eleições que estão por vir.



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30 junho 2014

Bolsa família e outras pérolas de um especulador imobiliário

Bolsa família e outras pérolas de um especulador imobiliário

Especuladores imobiliários dizendo que o Bolsa Família estimula vagabundagem. Pode?


Em uma conversa cotidiana me deparo com essas e outras pérolas de um senhor distinto, não esbanjador, até um tanto humilde para a condição que poderia esbanjar.


Herdou um pequeno sitio do paí o qual vendeu e comprou imoveis na cidade, estes, o sustentaram ao longo dos últimos 30 anos.


Entre outras pérolas, é contra cotas, diz que seus filhos tais como algumas pessoas de uma distinta lista, fizeram faculdade por esforço próprio competindo em pé de igualdade com outros candidatos.


A última afirmativa desconsidera o fato dos filhos terem crescido com país presentes em casa, visto que a condição financeira e hereditária lhes permitiram isso, contaram com apoio e incentivo dos país, nenhuma necessidade financeira, nenhuma necessidade de trabalhar na juventude, ou seja, tiveram um ponto de partida com tempo e dinheiro suficiente para investir em estudos e carreiras.


Os filhos desse homem competiram em pé de igualdade numa época que ainda não tinham sido instituidas cotas. Agora tem que competir com uma desleal vantagem dada a negros, que no inicio do século passado estavam na estaca zero, jogados nas margens da cidade pelo processo de abolição condenados a exclusão social por um país que dissera que a partir de 1888 eram livres e estavam com uma mão na frente e outra atrás.


Na entrada do século, quando negros estavam na estaca zero, o pai desse homem já era dono de uma pequena porção de terra e tinha acesso a uma condição de vida que negros não tinham. Estavam então em pé de igualdade nesse momento?


A próxima pérola vem da questão indígena, reprodutor da máxima: Índio é tudo vagabundo!!


Justificativa da máxima?


Eles tem uma grande porção de terra no Brasil e não a colocam pra produzir.


Conversávamos sobre uma região do Brasil que foi desbravada no final do século XIX e inicio do século XX, isso significa que, no inicio do século XX os Índios que estavam nessa terra viviam dos recursos que a terra oferecia, chega nesse momento, o progresso, destrói os recursos naturais, edifica cidades e encurrala indígenas em reservas que não suprem mais seu estilo de vida de sobreviver com o que a terra oferece.


Uma clara violência de transformação do ambiente onde seus antepassados viveram com tranquilidade e harmonia. Eram donos da terra. Não?


Nesse critério o senhor justifica que é progresso.


Não fosse o progresso, a região só seria habitada por indígenas, seria uma região selvagem! Em resumo dissera: Os Índios estão condenados a desaparecer, assim que tem que ser, como sempre foi, a lei do mais forte sobre o mais fraco!


Essa é a mentalidade de quem é contra bolsa família e contra cotas. São travestidos de um falso manto de justiça para defender privilégios e direitos de destruir todo um ambiente em equilíbrio. É a liberdade de se afirmar como melhor do que tudo que o rodeia.

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08 junho 2014

Funcionário público neoliberal, pode?

Funcionário público neoliberal, pode?

O neoliberalismo é uma ideologia de politicas econômicas que surgiu no inicio do seculo XX inspirada por ideias do liberalismo clássico.


O liberalismo por sua vez é uma politica econômica que surgiu no final do século XVIII. Tinha nas ideias principais a liberdade da economia, estando ela, livre da interferência de regulamentações que geralmente eram feitas pelos governos locais.


O liberalismo foi contemporâneo da revolução industrial, quando se aprofundaram as relações de patrão e operários. Nessa época ainda não existiam leis trabalhistas e o salário era definido pela lei da oferta e da procura.


No contexto da revolução industrial, a cada período eram desenvolvidas novas maquinas que substituíam o trabalho manual, resultando assim em uma menor necessidade de mão de obra, ou seja, as industrias precisavam de menores números de trabalhadores. Isso fez a oferta de mão de obra muito maior que a demanda de empregos, e consequentemente degradação das condições de trabalho e remunerações que supriam, cada vez menos, as necessidades primarias do trabalhador, levando os trabalhadores a aceitar condições de trabalho semi-escravas.


No final do seculo XIX e inicio do seculo XX foram institutas partes das leis trabalhistas como conhecemos hoje. Também nessa época, começaram a ser implementadas politicas econômicas voltadas ao estado de bem-estar.


As politicas do estado de bem-estar eram inspiradas por politicas socialistas, tinham a ideia de usar politicas de cunho social como um meio de obter eficiência econômica, colocando o estado como organizador da economia.


Em oposição a essas politicas, surgiram, de forma contemporânea, as primeiras formulações neoliberais no século XX entre as décadas de 30 e 40.


Porém, o conceito de neoliberalismo que é usado nos dias de hoje nos remete aos anos 80, quando Margareth Tatcher, implementou na Inglaterra, politicas com forte ênfase nas ideias liberais.


Como primeira ministra, Thatcher obteve grande sucesso na estabilização da libra esterlina, na dinamização da economia britânica e na redução drástica da carga tributária


A redução da carga tributária aumentou as importações, visto que os impostos protegiam o mercado interno, dando as mercadorias importadas um valor artificial mais caro. Com a queda no preço dos produtos importados, o mercado nacional inglês perdeu a falsa competitividade que aparentava ter devido ao protecionismo econômico, a produção industrial inglesa caiu, houve aumento do desemprego, aumento da concentração de renda, a porcentagem de cidadãos ingleses considerados pobres dobrou na era Tatcher.


O neoliberalismo de Tatcher incluiu, privatizações das estatais inglesas, fim do ensino gratuito público, fim dos serviços de saúde pública, o salário minimo foi quase abolido, entre outras medidas. Margareth Tatcher praticamente criou a cartilha do neoliberalismo. Isso lhe rendeu o apelido de Dama de Ferro.


O sucesso das politicas neoliberais para controle da economia chamaram a atenção dos Estados Unidos que logo se tornaram adeptos da ideologia. Nesse contexto o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, com o apoio dos Estados Unidos e Inglaterra, tiveram importante papel, principalmente a partir dos anos 90, de espalhar as politicas neoliberais pelo mundo com a mesma cartilha de privatizações e dissolução de serviços públicos implementada por Tatcher.


As politicas neoliberais chegaram no Brasil no governo do PSDB com o presidente Fernando Henrique Cardoso.


Assim como Tatcher, o governo FHC controlou a inflação e estabilizou a moeda nacional. E também como Tatcher, promoveu a concentração de renda, aumento de desemprego, privatizações e um gradual processo de sucateamento das instituições de serviços públicos como educação e saúde, tal como fez Tatcher, encaminhava um processo para culminar no fim de tais serviços.


Até hoje no Brasil, os governos do PSDB, são fortemente associados com politicas neoliberais e continuam afinanados com o discurso de politicas econômicas que agrada muito os detentores de grande capital e ameaça fortemente os trabalhadores e os direitos sociais.


Depois de tudo isso, retorno a pergunta inicial: Funcionário público neoliberal, pode?


Não é difícil encontrar em instituições públicas funcionário rogando ao PSDB como alternativa aos governos PTistas, geralmente com criticas vazias fundamentadas no discurso da 'corrupção', simples e seletiva como característica única de um governo, e em surtos psicóticos de comunistofobia que se proliferam na internet com a mesma argumentação da época da guerra fria, fundamentada pelo marketing estadunidense de combate ao avanço comunista.


Será que esses funcionários públicos sabem o que estão fazendo declarando voto em um candidato neoliberal?


Até entendo um especulador, portador de capital, encampar a campanha de um candidato neoliberal, mas um trabalhador assalariado neoliberal é uma contradição politica,social e econômica, não faz sentido lógico.


E eis que chegamos a um ponto crucial, não faz sentido logico essa escolha justamente porque os trabalhadores não sabem o que os candidatos representam, não conhecem o mínimo das politicas básicas defendidas pelo candidato, são reféns de estrategias de marketing promovidas pelos milhões escoados nas campanhas eleitorais e no interesse econômico dos meios de comunicação de massa, esses últimos grandes formadores dos discursos vazios que fomentam a abominação politica,social e econômica do funcionário público neoliberal.


Precisamos de uma revolução na informação, garanto que com a informação verdadeira veremos que um funcionário público neoliberal é uma coisa que não pode ocorrer.

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17 maio 2014

Concessão de rodovias gerou ganho indevido de R$ 2 bi, diz Artesp

Concessão de rodovias gerou ganho indevido de R$ 2 bi, diz Artesp

A agência estadual que regula as concessões de rodovias de São Paulo (Artesp) concluiu que empresas que exploram os pedágios paulistas tiveram um ganho indevido de R$ 2 bilhões até 2012.

O motivo foram alterações nos contratos feitas em dezembro de 2006, no final da gestão Cláudio Lembo (PSD) --que, na prática, permitiram um aumento da margem de lucro das concessionárias.

Concessionárias de São Paulo negam ganho indevido
Anulação de aditivo pode causar diminuição de tarifa de pedágio

A conclusão levou a agência reguladora, hoje sob comando do governo Geraldo Alckmin (PSDB), a abrir processos sigilosos para anular as dez alterações contratuais realizadas na época.

Esses processos, em andamento, têm aval da Procuradoria-Geral do Estado. Não há prazo para conclusão.

As concessionárias de rodovias dizem que os aditivos de 2006 seguiram critérios técnicos e que não houve ganho indevido.

Os R$ 2 bilhões equivalem a cerca de três meses de arrecadação de pedágios no Estado e a cerca de 40% do custo do trecho sul do Rodoanel.

Pedagio na rodovia Bandeirantes; concessionários que administram as estradas privatizadas faturaram indevidamente R$ 2 bi
Pedagio na rodovia Bandeirantes; concessionários que administram as estradas privatizadas faturaram indevidamente R$ 2 bi

TRIBUTOS

Os estudos que apontam as distorções são da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que há dois anos foi contratada pela Artesp, por R$ 3,2 milhões, para avaliar os aditivos e a estrutura das concessões.

As mudanças feitas em 2006 envolveram um reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos, com a inclusão de obras e a prorrogação dos prazos de concessão por até oito anos e quatro meses.

Os ganhos indevidos, segundo a conclusão da agência, foram motivados principalmente por dois fatores:

1) Projeções superestimadas de recolhimento de tributos (ISS, PIS e Cofins) pelas concessionárias de rodovias.

A auditoria aponta que foram feitas estimativas infladas no aditivo, em vez de cálculos a partir de valores efetivamente desembolsados.

Em casos anteriores, houve critérios diferentes. Mas eles não envolviam extensão de prazos contratuais.

2) Contas superestimadas de perdas sofridas pelas empresas em anos anteriores --por exemplo, por adiamento de reajuste do pedágio.

A consequência prática desses dois fatores foi o aumento da TIR (Taxa Interna de Retorno), que afeta a margem de lucro das empresas.

Ofícios encaminhados pela Artesp às concessionárias afirmam, por exemplo, que a TIR da ViaOeste (que administra a Castello Branco e a Raposo Tavares) subiu de 19,33% para 20,51%. A taxa da AutoBan (Anhanguera e Bandeirantes) teve alta de 19,78% para 20,25%.

Com isso, ao longo da concessão uma empresa poderia elevar os ganhos em até 25%.

Texto original de Folha de São Paulo

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29 março 2014

A rede Goebbels dos Estados Unidos

A rede Goebbels dos Estados Unidos




O termo rede Goebbels, apesar de lembrar muito rede Globo, não faz uma menção direta à rede brasileira nesse titulo.


Aqui uso o termo rede Goebbels para me referir a maquina de propaganda nazista utilizada para difundir as ideias do partido na Alemanha.


O nome Goebbels faz referencia a Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista e autor da celebre frase "uma mentira deve ser somente muitas vezes repetida e então ela se torna crível".


A frase de Goebbels apesar de soar, digamos, um tanto mal caráter, rasteira e mesquinha, foi adotada como base do jornalismo ideológico contemporâneo. Novamente lembramos da Globo.


A manipulação da verdade, a criação de meias verdades convenientes e ocultação de verdades inconvenientes é a marca dos grandes veículos de informação atual. Essa marca remete claramente as ideias de Goebbels que foram implementadas com notável sucesso na Alemanha nazista.


Mas retorno ao título, a rede Goebbels dos Estados Unidos.


Recentemente em entrevista a revista Carta Maior o cientista político e historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira revela que no governo Bush foi criado no pentágono o Office of Strategic Influence (OSI), uma divisão especializada na tarefa de manipular a opinião pública, com falsas informações, e promover operações psicológicas contra governos não alinhados a politica imperial. Um departamento com total equidade com o ministério da propaganda nazista.


Nesse momento histórico ao qual passamos, onde Ucrânia sofre um golpe de estado neonazista e o governo da Venezuela sofre pressões populares de setores pró Estados Unidos, nossos noticiários de TV e manchetes impressas da grande mídia, tomam partido total e irrestritamente aos interesses norte-americanos. Seria coincidência?


Em um breve levantamento histórico das ligações da nossa grande mídia, nos leva a apontamentos ( não conclusões ) que essa narrativa dos acontecimentos atuais pró Estados Unidos não é coincidência.


Nossa grande e velha mídia brasileira é filiada a S.I.P. (Sociedade Interamericana de Imprensa), uma sociedade entre os grandes meios de comunicação da America latina subordinada à C.I.A.


Na lista de membros podemos facilmente encontrar Globo, Folha, grupo Abril ( da VEJA ) que também coincidentemente, são os mesmos veículos que se destacam pelo discurso pró Estados Unidos em relação a crise na Ucrânia e desestabilização da Venezuela.


A S.I.P. foi fundada na época da ditadura de Fulgencio Batista em Cuba, o mesmo ditador derrubado por Fidel na revolução cubana. Exatamente depois da revolução cubana foi que a S.I.P ganhou importância na estrategia geopolítica norte americana. Para evitar o avanço comunista na America Latina, os veículos de imprensa ligados a S.I.P. foram responsáveis por fazer a campanha midiática que é conhecida como preparação para o golpe. Consistia em uma campanha midiática para desestabilizar governos eleitos e justificar 'intervenções' que resultaram nas terríveis ditaduras da America Latina.


Sobre o Brasil assista O dia que durou 21 anos.


Conhecendo esses histórico golpista da grande mídia brasileira, não fica difícil intuir ( apesar de não concluir ) que os mesmos membros da S.I.P. fazem parte da rede Goebbels norte-americana, a qual fora fundada no governo Bush sobre a sigla (OSI).


Ressaltando novamente, não podemos concluir com certeza, que nossa mídia faz parte da campanha desinformativa e da guerra psicológica promovida pela OSI. Os fatos são:


    1) A OSI existe e a função dela é desestabilizar governos antipáticos aos Estados Unidos por campanhas midiáticas


    2) A grande mídia brasileira é integrante de um órgão que foi responsável por instalar a maior parte das ditaduras latino americanas.


Apesar de não poder concluir com certeza, se você me perguntar, se eu acredito que Globo, VEJA/Abril, Folha e etc participam dessas campanhas desestabilizadoras da rede Goebbels dos Estados Unidos, não hesitarei em responder que sim.

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