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24 maio 2018


Eu tenho ficado cada dia mais perplexo com a situação desse país.


Há uma greve de caminhoneiros acontecendo e não vou discutir quem chamou a greve e quais seus possíveis interesses escusos. O fato é que o valor do combustível se tornou insustentável.


Mas a versão de que a culpa da alta dos preços é dos governos Lula e Dilma de fato me deixa perplexo em ver como as pessoas não conseguem ter qualquer noção básica da história desse país e muito menos do atual processo em que estamos inseridos.


É no mínimo ilógico e insustentável criticar o preço alto e ao mesmo tempo culpar os governos Lula e Dilma por isso.


O argumento dessas pessoas, (especialmente de alguns velhacos da dita "nova política", que no fundo não passa da velha politica que migrou para novos partidos munidos das mesmas ideias. Por exemplo, o tal Carlos Viana, que deseja ser senador em Minas pelo PHS) é que os governos petistas não reajustaram paulatinamente os preços e agora força os reajustes abruptos.


Ora, mas então quer dizer que a questão é o susto do preço subir demais? Porque se tivesse havido reajustes paulatinos, nós, consumidores, estaríamos pagando mais caro a mais tempo. Isso é uma questão de lógica.


Outra coisa que me deixa perplexo é a insistência em dizer que os aumentos de preços vieram a ocorrer para suprir rombos dos governos Lula e Dilma. Infelizmente, a grande mídia tem vendido essa ideia a população, que a compra, sem compreender a realidade.


Talvez, relembrar um pouco os fatos ajude a aqueles que estiverem a ler esse texto a compreenderem o que me deixa tão perplexo.


Em 2013, antes das manifestações do mês de Junho, o Brasil vivia uma situação de extrema estabilidade. O preço do dólar estava controlado. O Brasil tinha a menor taxa de desemprego da sua história. A presidente gozava de uma popularidade de mais de 70% e a previsão era de crescimento do PIB, em uma realidade em que vários países sofriam com PIbs negativos desde 2008. Era uma realidade em que a economia brasileira recebia elogios de indivíduos como Paul Krugman e Joseph Stiglitz, ambos ganhadores de prêmios Nobel de Economia.


Como dizer que havia um rombo econômico nessa realidade? Esse rombo não existia. A nossa economia era saudável até esse momento. As projeções para os anos posteriores era de crescimento, ainda que modesto, bem como de pleno emprego e preços controlados. E antes que alguns digam, a petrobrás não estava falida, muito pelo contrário, pois seus lucros eram substanciais e o pré-sal seguia se desenvolvendo bem, e tudo isso, sem a necessidade de colocar preços exorbitantes nos serviços públicos. O preço da gasolina orbitava em torno de 2,60 a 3,00 reais, dependendo da região e localidade no país.


O rombo foi produzido posteriormente, a partir, primeiramente, das manifestações de junho, que fizeram o país e o governo caírem em um processo de deslegitimidade. Naquele momento houve queda das bolsas, queda de ações de diversas estatais e ainda, se iniciou o propagandeamento de que estávamos a ponto de sofrer uma crise. E como bem sabemos, a propaganda é a alma do negócio. Walter Lippman, Noam Chomsky e Bauman, dentre outros, já nos advertiram sobre os processos produzidos em torno das propagandas e de como a opinião pública é a opinião publicada, que por sua vez, pode influir drasticamente na realidade.


As manifestações e a propaganda de uma crise eminente produziram a crise eminente que se estava propagandeando. Afinal de contas, o capitalismo atual se baseia em grande parte na atividade de investidores. E qual investidor irá investir em um país que se propagandeia estar em uma crise eminente? Nossa economia foi bombardeada por todo o tipo de previsão catastrófica de crise, alardeada pela oposição, que desejava vencer as eleições em 2014, e pela mídia, que apoiava essa oposição.


O resto da história todos nós conhecemos. A oposição perdeu a eleição, mas a presidenta herdou um país esfacelado, com uma crise sendo instalada e acabou derrubada por um golpe de Estado.


Não é por acaso que nas eleições de 2014 tantos economistas, de diversas universidades brasileiras, fizeram cartas coletivas em apoia a candidatura de Dilma, pois apoiavam o que estava ocorrendo naquele governo em relação a economia. Então, essa versão de que os aumentos de preços foram causados por má gestão de Lula e Dilma não se sustentam. Lula pegou o país quebrado e o entregou para Dilma com os melhores índices econômicos da história brasileira. E Dilma, até antes das manifestações de junho de 2013, seguia o mesmo caminho.


Então, esses aumentos abusivos de preços não vieram de um legado de rombo, mas sim, de um governo ilegítimo que sob inúmeros aspectos deseja estancar um pouco da crise que criou para derrubar o seu rival político, mas, principalmente porque essa sempre foi a proposta da direita, manter combustíveis e outros serviços inacessíveis a maior parte da população e garantir a lucratividade de acionistas abastados. (Eu mesmo denunciei isso na época da eleição. A proposta da direita, por via de seu candidato principal na época, Aécio Neves, era elevar naquele momento a gasolina ao valor de 3,50, algo que considerávamos um preço absurdo http://brasilemdiscussao.blogspot.com.br/2014/10/todo-o-alvoroco-do-psdb-em-cima-da.html http://brasilemdiscussao.blogspot.com.br/2014/10/o-motivo-das-acoes-subirem-na-bovespa.html)

Os motivos para a direita sempre propor esse tipo de coisa já conhecido: elitismo, desejo de uma mão de obra barata, manter privilégios, enfim, a velha luta de classes. E o interessante dessa versão em que a direita toma o governo, cria o caos econômico e depois culpa os governos de esquerda por um rombo também já foram também denunciados por mim em 2014, quando vi essa perspectiva em vias de ocorrer. Porém, naquele momento, eu achava que tal coisa ocorreria via eleições e jamais por um golpe (http://brasilemdiscussao.blogspot.com.br/2014/10/como-aecio-neves-quebrara-o-brasil-e.html).


Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestre em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.
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26 fevereiro 2015

A casa grande ainda mora em nossos teatros




         Fui a uma peça de teatro nesse fim de semana com a minha namorada. Tratava-se de um espetáculo da campanha de popularização do teatro e da dança, uma das iniciativas culturais mais interessantes que ocorre na região metropolitana de Belo Horizonte. Era uma peça de comédia, a casa estava cheia, quase não havia local para sentar, pois se tratava de uma das peças mais badaladas aqui em Minas Gerais, uma comédia chamada: “Acredite, um espírito baixou em mim”.
         A peça é uma comédia até interessante, mas o que mais me chamou a atenção foi perceber que a nossa classe média ainda não se livrou de alguns estereótipos, de alguns preconceitos viscerais que existem na sociedade brasileira, fruto de um elitismo cultural que vem de nossos tempos coloniais/coronelistas e do nosso processo de modernização feito através de uma elite que desejava ser europeia/estadunidense. Nessa peça pude perceber claramente o classismo, um racismo bem apagado, mas presente, e uma homofobia transvertida em humor que talvez seja hoje uma das questões mais cruéis que nossa sociedade ainda mantém.
         Realmente eu não acho que os atores tinham a intenção de ofender alguém, até pelo contrário. Eles me pareceram bastante simpáticos. E talvez tenha sido isso que tenha mais me preocupado. Talvez eles tenham sido racistas, homofóbicos, classistas e elitistas sem mesmo perceberem que estavam fazendo isso. Fizeram de forma inocente e naturalizaram as coisas. Ali se construiu um deboche ao Outro, construindo assim, uma identidade ideal padrão. O normal, belo, bonito, ficou sendo representado pelo homem branco, bem sucedido de classe média, enquanto o anormal e motivo de risos foi constituído na figura do pobre, homossexual e da mulher brega de origem pobre.
         Os velhos estereótipos produtores dos nossos piores preconceitos aparecem ali. O gay como motivo de chacota, ao lado pobre. A ausência do negro. Os ofícios dos pobres mostrados como algo negativo, e, por fim, como positivo, a figura do homem branco, heterossexual, jovem, de cabelos lisos.

         É a perpetuação dos velhos preconceitos como algo correto, em tom de humor, proferido a um público de classe média de escolaridade média, que não conhece os mínimos conceitos históricos para compreender as origens dessas ideias e o quanto elas podem ser nocivas à sociedade. Isso explica a quantidade de risadas que eu ouvi, enquanto eu ouvia estarrecido os pobres e os gays serem motivos de chacota.

Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.
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26 outubro 2014

Aécio Neves é um voto em quem menos investiu em educação, em detrimento a candidata que mais investiu.




         Aécio Neves é conhecido em Belo Horizonte, principalmente pelos professores da rede estadual de educação de MG como o inimigo número 1 da educação. Isso por ele e seu sucessor não pagarem o piso salarial dos professores, por terem sucateado as escolas estaduais e a UEMG, a universidade do Estado de MG.
         Enquanto isso, Lula e Dilma investiram valores como nunca se fez na educação, fizeram o Prouni, o Fies, o Reuni, construíram diversas universidades e ampliaram vários Campus, além de abrirem pós-graduações e diversas bolsas de estudo em vários níveis. Por fim, Dilma criou o Pronatec, enquanto os governos do PSDB sucatearam a educação no período FHC, chegando a criar uma lei que dificultava a criação de escolas técnicas federais.
         Será que educação não é algo importante? Como poderemos construir um país de qualidade sem investir em educação?


Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.
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25 outubro 2014

Já reparou que Aécio Neves e o PSDB não têm propostas para levar curso superior aos pobres?



         As propostas apresentadas na campanha de Aécio Neves, do PSDB, para a educação, não falam nada sobre propostas para o ensino superior. Não diz se programas como o Prouni vão continuar ou acabar.
         Isso é algo muito comum com relação ao PSDB, pois em momento algum esse partido e seus membros apresentaram propostas para ampliar os cursos superiores no Brasil e muito menos para darem acesso aos mais pobres aos cursos superiores. Se não bastasse isso, o PSDB sucateou as Universidades federais nos tempos de FHC e sucatearam ao extremo a UEMG em Minas Gerais, na gestão estadual de Aécio Neves e Antônio Anastasia, ambos do PSDB.
         A realidade é que a proposta educacional do PSDB propõe apenas ensino técnico ao pobre. Ou seja, é a velha ideia de manter o pobre como mão de obra barata e a classe média e os ricos com acesso ao curso superior. É a velha ideia de qualificar o mínimo possível os pobres. Não é a toa que PFL, atual DEM, principal aliado do PSDB, lutou com unhas e dentes entrando até na justiça para acabar com o Prouni.
         Será que o pobre não merece acesso as universidades.


Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.



http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/07/membro-da-equipe-de-aecio-neves-defende-privatizacao-da-universidade-publica/
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24 outubro 2014

O DEM, principal aliado de Aécio Neves lutou para acabar com o Prouni.



        Algumas pessoas podem não se lembrar de como foi à implantação do Prouni, em 2004, bem como talvez não se lembrem de como era o acesso ao ensino superior para os alunos de escolas públicas. A acessibilidade era mínima, quase nenhuma, e geralmente quem conseguia ingressar em um curso universitário, com raras exceções, era quem podia pagar uma faculdade privada ou uma escola privada.
         Atualmente a coisa é bem diferente, pois programas como o Prouni, o fies, o Reuni e mais recentemente o Pronatec, garantiram a entrada dos pobres aos cursos superiores de forma muito ampla, chegando-se mesmo a um patamar em que atualmente a grande maioria dos pobres consegue fazer um curso superior. Contudo, o programa que produziu em grande parte essa realidade, o Prouni, foi contestado e sofreu oposição para ser implantado por parte do PFL, atual DEM, principal aliado do PSDB, que não só votou contra o projeto, mas chegou ao cúmulo do absurdo de entrar na justiça para tentar acabar com esse programa.
         E reparem, a campanha de Aécio não faz uma proposta para ampliar o acesso a universidade a população e muito menos para os mais pobres, enquanto o PSDB defendeu em alguns momentos a privatização e o fim das universidades públicas no Brasil.
         Será que o PSDB e seus aliados que lutaram tanto para acabar com o Prouni desejam curso superior para os mais pobres?


Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.


http://xa.yimg.com/kq/groups/2170020/67893838/name/ADI3314%20Prouni.pdf


http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/07/membro-da-equipe-de-aecio-neves-defende-privatizacao-da-universidade-publica/
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19 outubro 2014

Como Aécio Neves quebrará o Brasil e ainda colocará a culpa no PT.



         O discurso que Aécio vem proferindo já dá uma indicação do que ocorrerá em seu governo caso ele vença a eleição em 2014. Ele afirma que o Brasil vai mal economicamente, diz que poderá tomar medidas impopulares e seu economista principal, assim  como ele mesmo, já falaram que o salário mínimo subiu demais nos últimos anos.
         Com base nas experiências que temos com o governo do PSDB em Minas Gerais, é possível que tudo isso venha a ser usado para justificar algumas ações no futuro, como o desemprego, arrocho salarial, aumento da gasolina, diminuição de crédito dos bancos públicos e aumento dos juros. O que eles farão é dizer que pegaram um país quebrado e usarão essa justificativa para as suas medidas impopulares. Eles acabarão com os empregos dos mais pobres, quebrarão o país e ainda colocarão a culpa no PT, o partido que gostem ou não, fez o país crescer e mais combateu as desigualdades e o desemprego.


Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.
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Aécio Neves já se justifica antecipadamente, dando desculpas para não reajustar o salário mínimo.



        Aécio, em seus discursos de campanha, já diz que em 2015 o salário mínimo não crescerá praticamente nada e tenta colocar a culpa disso no governo do PT e no crescimento do PIB de 2013.
         Mas ele se esquece da lei de 2011, que o PSDB votou contra e lutou na justiça para derrubar. Essa lei dá ao presidente o direito de reajustar o salário mínimo acima do calculo da inflação + PIB. Ou seja, o que Aécio está dizendo é que vai aumentar o salário mínimo apenas naquilo que a lei o obriga e nada mais.
         É o início da justificativa que tanto conhecemos, a de não aumentar o poder de compra dos trabalhadores mais pobres.



Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.


http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2011/11/03/stf-considera-constitucional-lei-de-reajuste-do-salario-minimo
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Todo o alvoroço do PSDB em cima da Petrobrás é para justificar um aumento de preços da gasolina.




         Todo esse alvoroço do PSDB, da oposição e da grande mídia em falar que a Petrobrás está quebrada, falida, endividada e envolvida em corrupção não é por acaso. Se olharmos os dados da Petrobrás, veremos que ela bate recordes de lucro todos os anos, deve percentualmente menos do que no governo FHC e foi menos envolvida em corrupção do que naquele período.
         O motivo desse alardeamento negativo sobre a Petrobrás é além de eleitoreiro, o de justificar um aumento de preços da gasolina caso Aécio vença a eleição. A justificativa será a de reerguer a Petrobrás, que na verdade está muito bem em lucratividade. A perspectiva é que com isso o preço da gasolina saia do patamar de 2,90 atual para 3,10 ou um talvez 3,45 o litro. Isso beneficiará os acionistas da Petrobrás, o que é o principal motivo de elevação da Bovespa toda vez que Aécio cresce nas pesquisas.
         Para você, trabalhador, a gasolina mais cara será algo bom?



Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.
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O motivo das ações subirem na Bovespa com a perspectiva de vitória de Aécio Neves é a ideia de um aumento galopante no preço da gasolina por parte dos acionistas da Petrobrás.



         Algumas pessoas já devem ter se perguntado o motivo da subida da Bovespa quando Aécio Neves do PSDB sobe nas pesquisas. A resposta para isso está na Petrobrás e em seus acionistas.
         O grupo econômico que forma a campanha e o futuro governo de Aécio Neves do PSDB, defende que a gasolina no Brasil está em um preço muito abaixo do que deveria. Há pessoas que defendem dentro do PSDB um valor de 3,45 a 3,50 para o litro da gasolina. Com uma perspectiva de vitória de Aécio, as ações da Petrobrás sobem de preço, à medida que a perspectiva de lucro cresce, o que puxa a Bolsa de valores para cima.
         A bolsa de valores então sobe, mas é com a perspectiva de um aumento da gasolina que prejudicará a população em geral, que aumentará preços e causará desemprego, beneficiando apenas grandes acionistas.
         Será que isso será bom para o povo? Acho que não.



Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.
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14 outubro 2014

Como Aécio acabará com o Bolsa Família em 5 estágios.



        Aécio afirma que se eleito presidente do Brasil, não acabará com os programas sociais, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Fies, Prouni, dentre outros, porém, em um dos debates do primeiro turno, em TV aberta, assim como em seu programa no horário gratuito na TV, afirmou que fará algumas mudanças no Bolsa Família. Nesse texto, vamos nos concentrar somente nesse programa de transferência de renda, o Bolsa Família.
         A proposta de Aécio é fazer o programa funcionar em 5 estágios (níveis de carência), ou seja, o beneficiário entra no estágio 1 e abandona o programa no estágio 5. Provavelmente o primeiro estágio teria a remuneração maior e subsequentemente vai se diminuindo o valor da bolsa gradualmente. Segundo o próprio Aécio, nenhuma pessoa poderá ficar mais que um ano em cada 1 dos 5 estágios. Isso quer dizer que o Bolsa Família terá um prazo máximo para ser recebido. No máximo, uma família poderá receber o benefício por até 5 anos, independente de continuar a precisar ou não, com valores provavelmente sendo reduzidos ano após ano.
         O Bolsa Família, com essa medida, deixará aos poucos, de ser um programa de ampla transferência de renda e se tornará cada vez menos um programa social presente na vida dos brasileiros mais pobres. Em 5 anos todos os atuais beneficiários já terão provavelmente o benefício muito diminuído no decorrer dos anos e estarão saindo do programa. Ninguém poderá voltar ao programa de novo, então, em breve, o Bolsa Família não terá mais a quem atender, pois terá atendido por 5 anos todos os beneficiários cuja renda se encaixa no perfil estabelecido.
         O Bolsa família não terá um fim imediato, mas terá um fim gradual e se tornará um daqueles programas sociais do PSDB que tanto conhecemos, que atendem parcelas mínimas da população e servem apenas para aparecer nas propagandas. Esse era o caso do Bolsa Escola, que atendia apenas 2,5 milhões de pessoas e tinha um cadastro de pessoas na espera de mais 2,5 milhões, um número muito pequeno, se comparado ao Bolsa família, que atende mais ou menos 57 milhões de famílias.
         Para os direitistas que podem estar lendo esse texto, não pense esse impacto só na questão social, mas pense o quanto essa diminuição de dinheiro circulando será nocivo para o comércio, para a indústria, para o setor de empregos e diversos outros setores de nossa economia, que serão diminuídos. Cada 1 real investido no Bolsa Família gera 1,78 ao PIB brasileiro. Além disso, pensem no impacto do IDH brasileiro. Acabamos de sair do mapa da fome, graças ao Bolsa Família e aos empregos que ele gera. Será que estamos com saudades de nossa posição no mapa da fome? Será que vocês não querem que o nosso país tenha um IDH de país de “Primeiro Mundo”? Programas como o Bolsa Família existem em todos os países ditos avançados, exatamente porque diminuem a pobreza e melhoram o mercado, produzindo inclusive mão de obra qualificada para o trabalho.

 Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.

Algumas referências:


https://www.youtube.com/watch?v=b-cze_wUBaI&feature=youtu.be

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2014/09/16/brasil-reduz-a-pobreza-extrema-em-75-diz-fao.htm
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07 outubro 2014

A mudança proposta por Aécio do PSDB é à volta ao arrocho salarial, ao desemprego e aos tempos de FHC.



         Agora, com a vigência do segundo turno das eleições presidenciais de 2014, em que duas candidaturas apenas sobraram, a de Dilma Rousseff do PT e a de Aécio Neves, do PSDB, é necessário pontuar a diferença entre esses dois candidatos, seus currículos e seus programas de governo, assim como os objetivos de cada um dos partidos políticos a qual eles se filiam.
         Um dos grandes temas dessa campanha, usado por todos os candidatos, é a ideia de mudança. Cada um dos concorrentes ao pleito presidencial no primeiro turno se colocou como o portador de um projeto de mudança para o país. O discurso de Dilma Rousseff e de Aécio Neves não são diferentes nisso, pois ambos se dizem como a mudança. Porém, podemos mensurar e comparar qual mudança cada um desses candidatos está propondo?
         A mudança que queremos é qualquer uma? Qualquer mudança serve?
         Dilma Rousseff nos propõe continuar as mudanças já começadas no governo Lula, ampliando a geração de empregos, o combate às desigualdades sociais, a distribuição de renda, o acesso à educação e a saúde pública. Obviamente o que ela está propondo é continuar uma mudança que já começou a mais de uma década no Brasil e que coleciona opositores e descontentes. No entanto, mesmo com erros e pedras no caminho esse foi um projeto bem sucedido. Os resultados das últimas Pnads, dos últimos sensos e de constatações feitas pelo Onu colocam o Brasil em uma excelente situação de melhora de condições de vida em praticamente todos os quesitos. E nem às vezes precisamos de números para ver isso. Alguém ai conhece alguém que está pior de vida hoje do que estava em 2002? Pobre hoje tem carro, faculdade, emprego, casa própria e a geladeira cheia sempre. No geral é isso o que vemos.
         Aécio Neves, por outro lado, nos propõe uma mudança que na verdade é voltar ao que éramos antes, uma volta aos tempos de FHC. Ele e seu economista chefe, Armínio Fraga, não cansam de falar que o salário mínimo está crescendo demais, que os juros estão muito baixos. Quando percebemos ainda que Aécio pertence ao partido de FHC, o presidente que teve índices terríveis de desemprego e arrocho salarial, tendo exatamente Armínio Fraga como seu principal economista, percebemos muito claramente que o projeto de mudança de Aécio Neves tem a ver com mudar para o antigo projeto do PSDB dos três pilares econômicos, do desemprego e do arrocho salarial, em que não havia crédito para que os mais pobres pudessem consumir.
         Aécio se diz capaz de conter a inflação, mas podemos perceber claramente que essa inflação alta é algo questionável, como já questionamos aqui em outro artigo. Ele se diz capaz de fazer o país voltar a crescer, muito embora já estejamos crescendo mais que a maioria dos países do mundo, ao passo que ele não foi capaz de fazer Minas Gerais crescer, endividou o Estado e fez Minas cair da posição histórica de 3º Estado mais atrativo para investimentos para a 6ª colocação.
         Ele fala sobre corrupção, mas como já discutimos em outro artigo, falar sobre denúncias dos outros e não falar das suas próprias não adianta nada. Nesse quesito a Dilma e o PT são muito mais claros e objetivos, defendendo sempre a investigação, em detrimento a Aécio e o PSDB, que sempre defendem arquivamentos dos casos em que são acusados.
         Queremos mudanças no Brasil? Quais mudanças nós queremos? Será que o projeto político de Aécio Neves e do PSDB representam as mudanças que queremos?
         Voltar ao arrocho salarial, ao desemprego, as privatizações, ao apagão elétrico, aos tempos em que as universidades eram apenas para os mais ricos é a mudança que queremos?
         Cada um pense o que quiser, mas Aécio foi governador em Minas Gerais, Estado onde eu moro, e não vi fazer nada de bom aqui.




 Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.
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01 outubro 2014

Ver o PSDB criticar a corrupção é como ver um ladrão discursar sobre honestidade.



         Atualmente a grande maioria das siglas partidárias brasileiras possuem algum tipo de envolvimento em acusações sobre corrupção. Mas acusação é diferente de condenação e culpa. Para alguém ser considerado de fato corrupto, culpado e “fixa suja”, precisa ser condenado por algum crime de corrupção. Acusações apenas não bastam para classificar alguém como corrupto.
         Contudo, algumas considerações precisam ser feitas sobre a forma como o PSDB, na campanha presidencial de Aécio Neves e na campanha estadual de Pimenta da Veiga, age com relação a esse assunto, tratado por eles com dois pesos e duas medidas.
         As duas campanhas enfatizam drasticamente a ideia de que o governo federal do PT nas gestões de Lula e de Dilma Rousseff tiveram graves escândalos de corrupção. Não estão errados em dizer isso, porém, eles tratam denúncias como casos encerrados e com isso fazem dois pesos duas medidas, pois seus governos são alvos também de inúmeras acusações e graves escândalos, com a diferença que a maioria deles não foram sequer investigados e acabaram literalmente engavetados.
         Denúncias sobre corrupção na Petrobrás, por exemplo, foram feitas aos montes durante o governo de FHC, em que Aécio Neves exercia mandato de deputado federal e era líder da base governista e da câmara dos deputados. No mesmo período Pimenta da Veiga era ministro do mesmo governo e ambos são do mesmo partido de FHC, o PSDB. Até uma plataforma chegou a ser afundada no mar e as investigações sobre todos esses casos nunca avançaram, foram esquecidas e até hoje a sociedade não teve uma resposta sobre o assunto.
         Os casos de compras de votos também são extensos, a começar pela denúncia de compra de votos para a reeleição de FHC, seguida do mensalão do PSDB, que ocorreu em Minas Gerais, no governo do governador Eduardo Azeredo, do PSDB. Pimenta da Veiga é diretamente citado como investigado no caso. Aécio Neves era deputado pelo PSDB e um dos principais articuladores entre o governo de Minas Gerais e o governo federal de FHC, também do PSDB.
         Pulando vários casos, que podem ser achados facilmente na internet, outro caso recente e significativo foi a da construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, feito pelo governo de Minas na gestão de Aécio Neves do PSDB, construído dentro das terras da fazenda de um tio avô de Aécio. Outros aeroportos construídos no mesmo período possuem problemas semelhantes, como o de Itabira, que está localizado em um local onde não há nenhum aeroporto, embora o dinheiro tenha sido gasto. Houve também uma acusação grave envolvendo o governo de São Paulo, do PSDB, sobre desvio de dinheiro do metrô de São Paulo, mas o caso tem pouca atenção da grande mídia e sofre tentativas de abafamento pelo atual governo de São Paulo.
         Todos esses casos são acusações e precisariam ser investigados. Muitos deles já foram arquivados, pois no período FHC a polícia Federal não tinha tantos equipamentos e nem tanta autonomia quanto adquiriu nos últimos anos para investigar tudo. O governo daquela época não só negava as acusações (o que é um direito inquestionável) como não fazia esforços para que as investigações andassem e ainda buscava abafar os casos. Até hoje, quando questionados, esses políticos jamais apoiam que os casos sejam reabertos e investigados.
         Mas o ponto central aqui é a forma como Aécio Neves e Pimenta da Veiga tratam as acusações de corrupção com dois pesos e duas medidas. Quando as acusações são contra eles elas são apenas acusações. Quando as acusações são contra seus rivais, elas são prova cabal de corrupção.
         Aécio mesmo, nos debates, reclama que a Petrobrás tem atualmente frequentado muito as páginas policiais e que isso envergonha o Brasil, como se acusações fossem prova de culpa e como isso provasse que realmente tenha havido tais casos de corrupção. Seria melhor então fazer como antes, no governo de FHC, do PSDB, abafando o caso e engavetando o processo?
         Mas se o fato de sofrer acusação for um sinônimo de culpa, então ver o PSDB falar sobre corrupção é como ver um ladrão falar sobre honestidade, uma vez que se trata de um dos partidos que mais têm acusações em seu currículo. Aliás, acusações muito mais graves, envolvendo muito mais dinheiro, como é o caso do metrô de São Paulo, por exemplo.
         Nessas eleições de 2014, só para citar outro exemplo, o PSDB foi o partido que teve o maior número de candidatos barrados pela lei da ficha limpa. Como então acusar os outros de corrupção com um currículo desses? E o que dizer das privatizações, como a da Vale do Rio Doce, vendida a preço de banana e envolvida em denúncias em que membros do PSDB teriam lucrado com essa venda feita a baixo preço?
         Aécio quer se passar como o candidato da ética, mas está no partido que mais teve candidaturas barradas pela ficha limpa nessa eleição de 2014. Ele é alvo de graves denúncias de corrupção em Minas Gerais, como a dos aeroportos e outras. Para piorar, mesmo com todas essas acusações que o rodeiam, ele trata acusações sobre outros candidatos como se fossem casos resolvidos e diz que está cansado de tanta corrupção na Petrobrás. Mas será que é ético acusar os outros por casos de corrupção que ainda estão sendo investigados, quando também se é alvo de investigação em casos semelhantes?
         Enfim, com a quantidade de acusações que o PSDB tem nas costas, o mais correto seria eles nunca falaram desse tema, mas infelizmente eles foram bem sucedidos em abafar os seus casos e boa parte da população tem memória curta e já não se lembra mais tão bem dos tempos de FHC, em que havia desemprego e arrocho salarial crescente, bem como corrupção não investigada e até racionamento de luz.

Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.


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23 setembro 2014

A eleição da intolerância. Assassinatos e destruição de material de campanha da Candidata Dilma Rousseff



         Uma das características mais marcantes e preocupantes dessa eleição presidencial em 2014, é o aumento dos casos de intolerância a opinião alheia. A campanha que mais vem sofrendo isso é a da candidata Dilma Rousseff, que concorre à reeleição para a presidência da República, sobretudo depois de seu crescimento nas últimas pesquisas de setembro. Obviamente ninguém é obrigado a votar nela, muito menos a gostar dela, mas o que se espera de qualquer cidadão no âmbito de uma democracia é o respeito às opiniões alheias sem agredir. O debate e a discordância é normal e sadio, mas a agressão e a injúria é um retrocesso democrático e mostra uma falta de traquejo para o debate, a falta de argumentos e o crescimento do ódio e da intolerância a diversidade.
         A campanha de Dilma tem sofrido uma série de ataques coordenados nas ruas. Suas placas estão sendo quebradas, seus cartazes arrancados, e o pior, até os adesivos em carros e motos estão sendo arrancados. A pessoa coloca o adesivo de apoio à candidatura em um carro e simplesmente, depois de estacionar, a propaganda some. Um ato de desrespeito que eu tenho visto ser narrado por uma série de apoiadores da campanha de reeleição da atual presidente.
         O que eu me pergunto é o que leva alguém a se achar no direito de retirar um adesivo do carro alheio? Será então que eu não tenho direito de apoiar uma candidatura? O fato de alguém não gostar da candidata que o outro apoia dá o direito dessa pessoa simplesmente arrancar uma propaganda do veículo do outro?
         É um ato de irracionalidade e de agressão, de intolerância e de ódio que ultrapassa a simples crítica política, a discordância de ideias. Acredito que o indivíduo que age assim deve ser o mesmo que é a favor de outros atos de intolerância, como o racismo, a homofobia. E sabemos muito bem que não se trata de a-partidários ou de pessoas que votam em branco, caso contrário, os demais candidatos estariam sofrendo o mesmo tipo de agressão.
         Trata-se, portanto, da agressão de militantes e simpatizantes de outras candidaturas, o que faz a coisa ainda se tornar pior, pois mostra que esses apoiadores estão tentando construir essas candidaturas em cima do ódio, do preconceito e da agressão, agindo com intolerância, não respeitando o direito de livre expressão dos outros. Sabemos muito bem quais são as campanhas que estão fazendo isso e quem é o eleitorado que faz esse tipo de coisa. É o mesmo eleitorado que odeia os pobres nas universidades (e que comete atos de preconceito e racismo nos campus, como o que ocorreu na UFMG recentemente; quando alunos se vestiram de Hitler e fizeram gestos racistas, pintando calouros como negros; e tantos outros que andamos vendo e que acabam não repercutindo), que faz ofensas racistas em estádios de futebol, que chama os programas sociais de esmola e assistencialismo, que ofende os outros gratuitamente nas redes sociais por não pensar como eles.
         É preocupante ver o crescimento da intolerância, do ódio. Não estamos dizendo que as pessoas não devem discordar desse ou daquele candidato, desse ou daquele governo, mas daí partir para agressão, para ofensas, já é outra coisa, mostra um nível de não tolerância ao diferente, de não tolerância à diversidade. Isso me parece ser fruto de uma geração de classe média e de pseudo-classe média, que tem problemas em ser contrariada, que não sabe ouvir não. Uma geração criada a danoninho, que tem paitrocínio para tudo, para os estudos (são contra os “assistencialismos” do governo, mas não são contra o assistencialismo do papai), para as baladinhas e etc, e que quando houve um não, deita no chão e faz manha, agride, grita e esperneia até conseguir dos pais aquilo que deseja, por mais absurdo que seja o pedido.
         Alguém pode até tentar justificar essas ações, falando que isso ocorre como protesto à corrupção e coisa do tipo, mas se fosse assim, as placas dos outros candidatos presidenciáveis estariam também sendo arrancadas, pois todos os três principais candidatos têm acusações contra eles e contra os seus partidos. Marina tem acusações pesadas contra ela, envolvendo o avião da campanha de Eduardo Campos. O PSB enquanto partido tem acusações a responder. O próprio Marido de Marina Silva é acusado em um caso grave de corrupção envolvendo desmatamento.  Aécio Neves tem acusações sobre os aeroportos “fantasmas” que fez em Minas Gerais, um deles na fazenda de seu tio avô, na cidade de Cláudio. Além disso, o PSDB é acusado de vários casos de corrupção pelo país, como a Lista de Furnas, a compra de votos para a reeleição de FHC, dentre outros. Dilma também teve escândalos de corrupção em seu governo e no governo Lula, sendo que o mensalão foi o caso mais discutido e considerado pela grande mídia como o mais grave. Ou seja, se fosse por isso, se fosse por corrupção ou por acusações de corrupção, todos os candidatos estariam sendo atacados igualmente.
         No fundo, os ataques contra a candidatura de Dilma tem outro caráter, eles mostram a irracionalidade de parte do nosso eleitorado, que perdeu privilégios ou que acha que perdeu privilégios. Um eleitorado intolerante com a diferença, com outras formas de pensar, que deseja impor suas ideias a qualquer custo, mesmo que seja na pancada. É um eleitor que acredita piamente em tudo o que a grande mídia diz, que não entende que essa mídia tem interesses e tem opiniões políticas. Por fim, é um indivíduo que odeia o outro, que se identifica com o que a grande mídia prega, independente de qualquer argumentação.
         Quando eu comecei a fazer esse texto à coisa ainda estava branda, no nível apenas da derrubada de cavaletes e na destruição de material de campanha. Agora, três militantes do PT, um em Curitiba e dois no Pará, foram mortos nos últimos dias enquanto faziam campanha. Ou seja, estamos falando de assassinatos por motivação política, e provavelmente em crimes com mandantes.
         Alguns ainda vão tratar isso, essa intolerância, como uma revolta legítima e mesmo como algo normal e fruto de uma decepção com o governo, ou de uma revolta de um povo que não aguenta mais esse governo. Mas será que se ocorresse o contrário, será que se fossem os apoiadores de Dilma que estivessem fazendo isso com as outras campanhas, isso seria tratado da mesma forma? Será que se eles fizessem isso aqui em Minas com o governo do PSDB, também a 12 anos no poder, ou com o governo de São Paulo, que tem também o PSDB a mais de 20 anos no governo estadual, a coisa seria vista e tratada como uma revolta justa? Será que é isso o que queremos para o nosso país? Será que o que queremos é essa intolerância? Eu, no que concerne a discutir política, prefiro ficar no debate das ideias. Quando critico um candidato, o critico pelo seu currículo ou por suas ideias, ou por ambos, mas jamais o agredindo pessoalmente, jamais com xingamentos e palavras de baixo calão. Penso que esse deveria ser o tom das campanhas e o tom dos eleitores, mantendo o direito e até o dever de discordar de ideias que não convencem, mas conservando o direito dos outros poderem se manifestar, mostrar suas ideias. Acho que aquele velho ditado deveria ser cada vez mais observado: O direito de um começa aonde termina o do outro.

Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.


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16 setembro 2014

A inflação como arma política da direita nas eleições presidenciais de 2014.


         A inflação supostamente alta é um dos assuntos que mais aparecem no debate político das eleições presidenciais de 2014. Boa parte da oposição ao atual governo federal acusa a presidente Dilma Roussef, candidata a reeleição pelo PT, de ter deixado a inflação voltar a subir. Um dos principais acusadores é Aécio Neves, candidato a presidência pelo PSDB.
         Realmente os indicadores econômicos apontam que a inflação ficará no teto da meta estabelecida pelo atual governo, podendo até talvez passar um pouco dessa meta. Isso não deixa de ser preocupante e com certeza a inflação precisa ser reconduzida ao centro da meta. Contudo, esse debate vai para alem disso, pois aqueles que acusam o atual governo usam essa situação como arma política para desqualificar a candidata do PT a reeleição, produzindo discursos descontextualizados com a realidade política e econômica do país, deixando de considerar a crise econômica mundial e também os índices de inflação anteriores e dos governos estaduais.
         O principal candidato e partido a usar o discurso da inflação é Aécio Neves, do PSDB. Ele diz que o governo está falido, que perdemos competitividade e que a inflação voltou a crescer. Mas é interessante notar alguns números que talvez possam ajudar na compreensão de como isso tem sido usado como arma política e como é uma situação que não corresponde à realidade histórica. Desde a instalação do Plano Real, no Governo de Itamar Franco, em 1994, tendo como Ministro da Fazenda Rubens Ricupero (que substituiu FHC, antigo ministro da Fazenda que organizou a equipe econômica do Plano Real); a inflação no Brasil foi drasticamente diminuída.
No primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, a média de inflação ficou em 9,8%. 22,4% em 1995, 9,5 % em 1996, 5,22% em 1997 e 1,6% em 1998. No segundo mandato de FHC sua inflação acumulada ficou em 8,6%. 8,9% em 1999, 5,9% em 2000, 7,6% em 2001 e 12,5% em 2002.
No governo Lula, do PT, a inflação no primeiro mandato ficou em 6,4%. 9,3% em 2003, 7,6% em 2004, 5,6% em 2005 e 3,1% em 2006. Na segunda gestão ficou em 5,1%. 4,4% em 2007, 5,9% em 2008, 4,3% em 2009 e 5,9% em 2010. Até agora, por período, foram às duas gestões com menor inflação.
O Governo Dilma, do PT, até agora, acumula a média de inflação de aproximadamente 6,1%, conforme as projeções para o fechamento de 2014, podendo talvez variar até para 6,6%. 6,5% em 2011, 5,8% em 2012, 5,9% em 2013 e 6,4% a 6,55% em 2014.
Se olharmos individualmente os anos de governo, veremos que quem teve os maiores índices de inflação em um ano foi o governo FHC do PSDB, com 22,4% em 1995, 9,5% em 1996, 8,9% em 1999 e 12,5% em 2002. Claro que temos que levar em consideração que 1995 e 1996 foram anos ainda influenciados pelo período anterior da hiperinflação. Temos também que dizer que o menor índice histórico em um ano foi atingido no governo tucano, em 1998, que teve a inflação em 1,6%, embora o arrocho salarial e o desemprego nesse período tenham ficado, em contrapartida, assustadoramente altos.
Mas se falando de economia, inflação é somente uma parte da história. Outros números precisam ser levados em consideração, como geração de emprego, crescimento do PIB, comparação entre o PIB de outros países no mesmo período, além de distribuição de renda e melhoria nas condições de vida da população.
Se levarmos ainda em consideração que o governo Dilma passou por uma das piores crises mundiais do capitalismo e mesmo assim conseguiu ter inflação menor do que o período FHC/PSDB, com mais emprego e mais renda para o trabalhador e sem criar arrocho salarial, os resultados não são tão ruins como prega o candidato Aécio Neves. Pensemos, por exemplo, no PIB brasileiro por períodos.
No primeiro mandato de FHC, a média do crescimento do PIB ficou em: 2,5%. Na segunda gestão ficou em torno de 2,1%.
O governo Lula teve 3,6% de crescimento do PIB no primeiro mandato e 4,6% no segundo.
Dilma, até o presente momento apresenta 1,8% de crescimento.
Contudo, no governo Dilma a crise mundial arrasou boa parte da Europa. A Espanha, por exemplo, chegou a ter 26% de desemprego, junto a vários outros países. No mesmo período, Dilma conseguiu diminuir o desemprego no Brasil, criando mais postos de trabalho com carteira assinada, aumentando o número de empresas criadas e diminuindo o número de falências.
O governo Lula teve resultados semelhantes, criando emprego e renda para os trabalhadores mais pobres. As três gestões do PT na presidência foram bem avaliadas pela ONU, como exemplos de combate as desigualdades sociais. Já o governo FHC, do PSDB, teve arrocho salarial e desemprego.
O que eu me pergunto então é como Aécio Neves do PSDB, tendo feito parte da base aliada do governo FHC/PSDB, tem a coragem de falar em inflação alta e baixo crescimento do PIB, quando o governo do seu partido, teve resultados muito piores, tendo sido Aécio nesse período líder da Câmara dos Deputados?
Aécio Neves pode tentar se desvencilhar de FHC e da antiga gestão federal do PSDB, mesmo ele tendo sido um dos principais membros da base aliada daquele governo. Porém, será que ele pode se desvencilhar então do governo de Minas Gerais, onde ele foi governador por dois mandatos e reelegeu Antônio Anastasia, seu principal aliado no Estado?
O governo de Minas amarga alguns resultados estranhos no quesito economia: Minas, nos últimos 12 anos, deixou de ser um dos Estados mais atrativos do Brasil para investimentos, caindo da posição de 3º mais competitivo para 6º. Essa era uma posição histórica de Minas Gerais, ao lado de Rio de Janeiro e São Paulo, porém, na gestão de Aécio Neves do PSDB, as coisas mudaram e o Estado perdeu competitividade.
Marina Silva, atualmente no PSB, também entra com a crítica da inflação alta. Curiosamente a fórmula econômica dela para reduzir a inflação é dar autonomia jurídica ao Banco Central e diminuir crédito imobiliário. Ou seja, sua fórmula é deixar os bancos ganharem mais dinheiro e cobrarem os lucros que quiserem, desacelerando a indústria da construção civil, o que vai certamente produzir desemprego, dentre outras coisas piores, como diminuição da renda dos mais pobres. Mas pode ser que ela mude de ideia, afinal de contas, ela tem mudado de ideia sobre seus programas de um dia para o outro. No caso da campanha de Marina, todo dia podemos ter uma novidade diferente, cada minuto é um flash. Então, talvez não precisemos nos preocupar com ela estar com o economista do plano Collor em sua campanha, ou estar com o pessoal do Banco Itaú, acusados de sonegação de impostos.
Mas em todo caso a inflação se tornou arma política nessas eleições, uma arma política da oposição contra o atual governo, contudo, os números mostram que no caso de Aécio, seus governos, do PSDB, apresentam resultados bem piores do que os governos em que Dilma esteve participando como ministra e como presidenta. No caso de Marina, sua crítica vem com uma solução que nos parece desastrosa para o futuro, além do fato de sua palavra parecer não valer o escrito.

Átila Siqueira é Historiador, Bacharel em História pela PUC-MG e Mestrando em História, pelo programa de pós-graduação em História da UFMG, na linha de História e Culturas Políticas.

Algumas referências:
http://www.brasil247.com/pt/247/economia/145260/PML-infla%C3%A7%C3%A3o-no-governo-FHC-foi-pior-que-com-PT.htm

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