04 março 2014

Porque não devemos encarar a crise da Ucrânia com a dicotomia do bem e do mal.

Postado Por: Sentença  |  Em:

Porque não devemos encarar a crise da Ucrânia com a dicotomia do bem e do mal.

Dicotomia é uma palavras que se refere a duas alternativas, se uma das duas acontece a outra não pode acontecer. A dicotomia do bem e do mal se refere a classificar as coisas como do bem ou do mal.


É uma velha estrategia da mídia usar esse tipo de classificação para induzir o leitor e/ou telespectador a tirar uma conclusão precipitada sobre certas situações.


Obviamente você encontrará inúmeros exemplos de noticias onde esse principio é aplicado, e sim, ele é aplicado repetidamente com a crise na Ucrânia.


A montagem da situação pelos grandes veículos de informação levam a uma conclusão precoce que na Ucrânia manifestantes bonzinhos (do lado do bem) derrubaram um governo malzinho inimigo da Ucrânia e inimigo do povo. Então com a derrubada do governo o povo venceu, ou seja, o bem venceu!


A montagem comum dos grandes veículos de informação é envolvida pelos interesses econômicos da Europa e Estados Unidos. Alguns deles tem profunda influencia da CIA, no momento em que são filiados a Sociedade Interamericana de Imprensa (S.I.P.) é conveniente e vantajoso para a mídia de massa montar a verdade do Ocidente.


No entanto, montar a tomada do poder na Ucrânia por manifestantes do bem, é um erro terrível.


A Ucrânia está passando por uma terrível crise, o país está quebrado, nesse momento foi oferecido ao país a possibilidade de ingressar a União Europeia, o que segundo algumas analises era uma proposta muito ruim para o país. Também nesse momento a Russia ofereceu um acordo mais vantajoso, envolvia o abastecimento de óleo e gás para Ucrânia e alguns empréstimos quase sem juros, muito diferente da proposta Europeia que obrigaria o país a impor um neoliberalismo selvagem com numerosas privatizações na infra-estrutura nacional, abertura de mercado e dependência de financiamentos do Banco Mundial.


Com a negativa do presidente em participar da UE, começaram os protestos populares, como em qualquer lugar no mundo, correntes politicas viram oportunidades de se fortalecerem. Assim entra em cena os extremistas ultra-nacionalistas com tendencias nazistas.


Em certo ponto as manifestações na Ucrânia foram dominadas por símbolos neonazistas e o protesto violento prevaleceu.


A UE e os EUA com todo o poder que concentram na forma financeira e na forma de controle da informação de massa, apoiaram fortemente a ascensão dos neonazistas até a derrubada do presidente eleito. A motivação desse apoio é clara, colocar no poder um presidente que seja simpatizante da União Europeia e conseguir a influencia econômica no país.


Em contrapartida, a Russia que oferecerá melhores condições e havia fechado acordo com o presidente deposto, viu seus interesses atacados pelo avanço da influencia Europeia utilizando da via não democrática. A Russia entra em cena com seu contingente militar para defender seus interesses.


Por um lado a Ucrânia vivia uma crise terrível sob o comando do presidente Yanukovytch, o que iniciou a onda de protestos que se tornou incontrolável. Por outro lado, a UE fez uma oferta de intervenção econômica que não mostrou nenhuma vantagem para o país e por isso foi negada, não obtida a influencia financeira pela via legal partiu para a via golpista apoiando grupos extremistas nazistas para derrubar o presidente com um golpe.


O apoio do ocidente a grupos neonazistas para dar um golpe não é só uma coisa que deveria soar inaceitável como também é uma atitude perigosa já que esses grupos podem sair do controle das próprias potencias e espalhar uma onda de extremismos pela região que pode avançar para a Europa.


Ao fim, devo ressaltar que tanto a EU/EUA quanto a Russia, entraram na disputa por interesses econômicos e não representam em nenhum momento um vilão e um herói na história, mas devo ressaltar que o apoio a grupos extremistas é uma história que se repete e os resultados nesses casos sempre mostraram cenas catastróficas para a história mundial.

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