10 julho 2013

Movimento contra os Médicos Estrangeiros

Postado Por: Sentença  |  Em:


Movimento contra os Médicos Estrangeiros:
Não convenceram a população pelo Medo e não estão convencendo a população pela culpa.
Virá mais alguma apelação infundada?

O Medo


O governo colocou em pratica neste último dia 8 o plano mais médicos para o Brasil.


Parece uma medida simples, abrir editais para a contratação de médicos e caso não apareçam médicos interessados disponibilizar as vagas para médicos estrangeiros. Simples não? Onde faltam médicos tentar suprir as vagas com mão de obra estrangeira.


Sim é simples, mas por algum motivo além da nossa compreensão as representações dos médicos nacionais se colocaram de prontidão combatentes às medidas do governo ( E destaque-se aqui as representações médicas e não exatamente os médicos em si ). O que será esse inimigo tão temeroso que ameaça a paz e a tranquilidade dos representantes das comunidades médicas?


O verdadeiro mal não podemos constatar, podemos sim olhar o estremecer do cenário político e social com a anunciação da possível vinda de médicos estrangeiros.


- Ui... O Governo quer trazer médicos cubanos comunistas pro Brasil! - exclamaram indefesos políticos de direita, frágeis e vulneráveis a terríveis comunistas comedores de criancinhas.


Esqueceram nossos direitistas de falar que os médicos poderiam também vir de Portugal e da Espanha. Será que esqueceram porque esses países não tiveram intervenção de ideias socialistas? Não, não... deve ter sido uma aminézia inocente, vamos dar um voto de confiança e acreditar que eles estão do lado do bem.


Ao fim desse episódio os médicos estrangeiros não caíram no desagrado popular como se esperava com esse apelo sentimental ao medo de uma conspiração comunista.


leia sobre a estratégia da culpa

A Culpa

- Putz! Não deu certo apelar ao medo - Suspira o senhor das sombras por trás das campanhas fora médicos estrangeiros que nem chegaram a estar aqui dentro do Brasil - O que nos resta fazer?


E eis que surge no cenário político-social as representações dos médicos com a nova máxima dos que se opõem aos médicos estrangeiros: O Brasil não precisa de médicos! O Brasil precisa de estrutura para os médicos trabalharem!


Não pegaram pelo medo, agora tentam pegar pela culpa. Culpar o governo pela falta de estrutura das cidades que necessitam de médicos foi uma estratégia melhor que propagar na população o medo de um eminente ataque comunista que não tem a menor chance de acontecer.


Mas parece que a estratégia da culpa também não está pegando. Principalmente por ter sido impulsionada pelas representações dos médicos que tem chamado as ruas sua massa de profissionais indignados para protestar contra a medida do governo.


Infelizmente o número de profissionais indignados não eram tão grandes assim então eles tiveram que pagar o táxi para seus funcionários irem na manifestação para fazer número.


Também não deu muito certo. O número foi bem pequeno.


Ah! Mas ainda podem contar com o apoio direitista das contagens dos meios de comunicação de massa, recentemente no Facebook circulou a foto da manifestação de 5 mil médicos em São Paulo o mesmo número de pessoas de uma das manifestações pelo passe livre em São Paulo segundo o mesmo veiculo de informação do qual a coerência pode ser vista na comparação das duas imagens.


O estranho, e o que algumas poucas pessoas não conseguem compreender, é que impedir a contratação de médicos, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, não vai modificar a estrutura a qual os médicos "reivindicam" em suas manifestações.


Impedir a contratação de médicos só irá atrasar o atendimento das pessoas das áreas mais remotas do país, pessoas essas que não podem esperar uma estrutura de saúde ser construida em suas cidades para só então atrair médicos.


Existe muita coisa para se diferenciar entre estrutura hospitalar e atendimento médico, é isso que vem sendo confundido, existem pessoas acreditando que surgirá no meio do rio Amazonas um hospital de dimensões templárias todo branquinho e cheirando a álcool para atender às manifestações dos médicos.


Um hospital gigantesco não é sinonimo de atendimento médico.


Para clinicar não é necessário uma estrutura gigantesca, um pequeno escritório devidamente higienizado e organizado é suficiente para uma consulta de rotina e prestação de um diagnóstico inicial, é isso que falta nos interiores do país, atendimento médico em pequenos postos de saúde, não muito mais que isso para o cenário recente.


E digamos de passagem para os que pouco acompanham o caso, esse não é um plano para revolucionar a medicina do país é pra satisfazer necessidades urgentes.


leia sobre motivos das sombras

Um motivo nas Sombras

O que me resta é indagar novamente o por que dessa postura combativa contra a vinda de médicos estrangeiros que primeiro foi pela direita política e mais recentemente por organizações de representação dos médicos.


Se não faltam médicos, o que dizer para as cidades que passam meses a espera de profissionais para suprir a demanda de seus sistemas básicos de saúde?


A intuição que carrego comigo só leva a um caminho de conclusão para essa história: Alguém vai perder dinheiro com uma demanda suficiente de profissionais da saúde.


Não serão os médicos em si, cada um conhece bem a si mesmo e suas capacidades, cada médico sabe o profissional que é, não precisa temer concorrência estrangeira.


Quem perderá dinheiro com uma saúde de qualidade é a saúde paga, que se sustenta de valores exorbitantes cobrados das pessoas que não tem acesso a uma saúde pública de qualidade.


É com as máfias da saúde que devemos nos preocupar, são eles quem as representações médicas estão defendendo e não a classe médica.


Pagar táxi para funcionário manifestar não é coisa de quem está defendendo uma classe trabalhadora e sim de quem está fazendo um investimento que é rentável apenas em cima do sofrimento das pessoas.


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